Os Elementais na Umbanda
Os elementais são uma classe de seres espirituais que nós Umbandistas devemos conhecer.
Reproduzimos abaixo um capítulo do livro -
Mediunidade - de Edgard Armond que trata sobre o tema em questão.
Muito do assunto tratado foi redigido com subsídios retirados do livro "O Reino dos Deuses" de G.Hodson e Ramatis.
Nós que militamos na Umbanda mantemos muito sintonia com esses seres como vocês poderão verificar abaixo.
Neste
orbe denso que habitamos, podemos traçar duas linhas demarcatórias,
separando planos de atividades espirituais diferentes: a dos seres
elementais e a dos espíritos humanos.
Esta
demarcação é um simples recurso de objetivação do assunto, para
facilitar sua compreensão, nada havendo de rígido, delimitado, no
espaço, porque tudo no Universo se interpenetra e as separações desta
espécie são sempre simplesmente vibratórias.
Assim,
o plano da matéria física possui vibração mais lenta que o da matéria
etérea e, dentro do mesmo plano, a mesma lei se manifesta, separando os
sub-planos e assim por diante.
Cada
plano é habitado pela população espiritual que lhe for própria, segundo
o estado evolutivo e a afinidade específica vibracional de cada uma.
Também
é sabido que entidades habitantes de um plano não podem invadir planos
de vibração diferente, salvo quando de planos superiores, que podem
transitar pelos que lhes estão mais abaixo.
O PLANO DOS ELEMENTAIS
Os
Elementais são seres singulares e misteriosos, multiformes, invisíveis,
sempre presentes em todas as atividades da Natureza, além do plano
físico.
São veículos da Vontade Criadora, potencializadores das forças, leis e processos naturais.
Sua existência é constatada por muitos e ignorada pela maioria.
Em
síntese, podemos dizer que eles são os executores das manifestações do
instinto entre os animais, levando-os a agir desta ou daquela maneira,
sendo essa uma de suas mais úteis e interessantes tarefas.
Eles mesmos, cada um no seu gênero, são o instinto simples, natural, impulsivo, violento e expontâneo em ação.
Daí
serem perigosos quando utilizados pelos homens no campo das paixões
naturais, cuja exacerbação produzem a limites imprevisíveis.
Em muitos pontos, confundem-se com os deuses mitológicos e das religiões primitivas.
Geralmente
são controlados e conduzidos por "almas grupo", designação ambígua que
significa "elementos polarizadores", gênios da própria espécie.
Os
povos antigos se referiram a eles no passado, e milhares os viram e
ainda os vêem, quando são videntes, ou quando exteriorizados do corpo
físico.
E farta é a
literatura espiritualista que os noticia; e, no próprio Espiritismo, há
referências sobre eles, que são, aliás, figuras vivas e familiares aos
médiuns videntes e de desdobramento.
"Possuem
um metabolismo intra-luminoso de grande velocidade; são transmissores
de energias espiritualizantes para as substâncias dos planos inferiores
da Natureza, no campo físico, e formadores das grandes correntes de
energia reduzida, que utilizam como espíritos da Natureza.
"Os mundos etéreos, onde se manifestam, são formados de matéria rarefeita de maior ou menor densidade.
"Formam
várias classes, cada uma delas com seus próprios habitantes, nos
próprios planos, todos se interpenetrando, como no arco-íris, isto é: os
de menor densidade interpenetrando os de densidade mais pesada.
"Atuam
em diferentes planos: no físico, no emocional e no menta linferior,
quando a forma predomina sobre a energia; no mentalsuperior e na vontade
individual, quando predomina a vida e o ritmo, a se reduzindo à
essência concentrada, formando os arquétipos.
"Todos
os processos criativos, a saber: a criação, a evolução, a vivificação e
a forma, são assistidos por hostes desses seres, que agem sob a
vigilância de um ser maior, responsável, condutor,considerado, como já
dissemos, o deus, o gênio da espécie.
Exemplo: o deus da montanha, o deus do mar, etc., como nas mitologias em geral.
"O ser elemental é vivo e vive no astral.
Segundo sua espécie,incorpora os pensamentos e as idéias dos homens e as executam como se fossem próprias.
Realizada
uma, apropria-se de outra, que também executa e assim passam a atuar
ininterruptamente, tornando-se perigosos por serem inconscientes, sem
discernimento para distinguir o bem do mal.
São seres em início de evolução.
Encontram-se
em toda parte: na superfície da terra, na atmosfera, nas águas, nas
profundidades da sub-crosta, junto ao elemento ígneo.
Invisíveis
aos olhares humanos, executam infatigável e obscuram ente um trabalho
imenso, nos mais variados aspectos, nos reinos da Natureza, junto aos
minerais, aos vegetais, aos animais e aos homens.
"A
forma desses seres é muitíssimo variada, mas quase sempre aproximada da
forma humana. O rosto é pouco visível, ofuscado quase sempre pelo
resplendor energético colorido que o envolve.
"Os
Centros de Força que, no ser humano são separados, nos elementais se
juntam, se confundem, se somam, formando um núcleo global refulgente, do
qual fluem inúmeras correntes e ondulações de energias coloridas,
tomando formas de asas, braços, cabeças...
"Podem ser classificados em duas categorias gerais: os elementais fictícios e os naturais.
AS LARVAS MENTAIS
Os
primeiros são conhecidos como "larvas", criações mentais, formas
pensamento, que exigem três elementos essenciais para subsistirem: uma
substância orgânica, uma forma aparencial e uma energia vital.
Existem
substâncias plásticas etéreas que permitem sua criação; a forma depende
do sentimento ou da ação mental que inspirou sua criação e o elemento
vital que os anima vem do reservatório universal da energia cósmica.
A
vida das larvas durará na medida da energia mental ou passional emitida
no ato da criação e poderá ser prolongada desde que, mesmo cessada a
força criadora inicial, continuem elas a serem alimentadas por
pensamentos, idéias, vibrações da mesma natureza, de encarnados ou
desencarnados, existentes na atmosfera astral, que superlotam de ponta a
ponta, multiplicando-se continuamente.
O ser pensante cria sempre, consciente ou inconscientemente, lançando na atmosfera astral diferentes produtos mentais.
A
criação consciente depende do indivíduo sintonizar-se ou vibrar no
momento, na onda mental que corresponde a determinada criação
(amor,ódio, luxúria, ciúme, etc.) e por isso essa forma de criação
raramente é normal, habitual, porque não é fácil determinar a formada
larva que corresponde à idéia ou ao sentimento criador; mas, a vontade
adestrada, impulsionando a idéia ou o sentimento, pode realizar a
criação que tem em vista e projetá-la no sentido ou direção visada, para
produzir os efeitos desejados.
A
larva, quando é um desejo, uma paixão ou um sentimento forte, se
corporifica, recebe vida mais longa que a larva simplesmente mental que,
quase sempre, tem uma alimentação mais restrita, a não ser quando
projetada por pessoa dotada de alto poder mental, ou por grupos de
pessoas nas mesmas condições.
Os
sacerdotes egípcios, por exemplo, criavam larvas para defenderem as
tumbas dos mortos, animando-as de uma vida prolongada e elas se
projetavam sobre os violadores de túmulos, provocando-lhes perturbações
graves e até mesmo a morte.
OS ELEMENTAIS NATURAIS
Quanto
aos elementais naturais, eles formam agrupamentos inumeráveis
compreendendo seres de vida própria, porém essencialmente instintiva que
vão desde os micróbios, de duração brevíssima, até os chamados
Espíritos da Natureza, que classicamente são agrupados nos Reinos, sob
os nomes de gnomos (elementais da terra) , silfos (elementais doar) ,
ondinas (elementais das águas) e salamandras (elementais do fogo) e todos
eles interessam aos trabalhos mediúnicos do Espiritismo.

Os
elementais da terra se agrupam em numerosas classes: os da floresta,
das grutas, da subcrosta, dos areiais, dos desertos, das planícies, das
regiões geladas, etc., cada espécie desempenhando determinado trabalho,
sob a supervisão de espírito desencarnado, trabalhos esses que vão desde
a proteção de animais até a produção de determinados fenômenos
naturais.
Os índios e
aborígenes de várias regiões do globo mantém com eles relações
estreitas: não derrubam mato nem iniciam suas estações de caça sem antes
evocarem os gênios que presidem essas atividades: fazem suas evocações
previamente batendo nos seus tambores sagrados,em meio a cerimônias
bárbaras e, quando o gênio surge entre eles, muitas vezes completamente
materializado, fazem-lhe roda em torno e dançam e cantam durante longo
tempo.
Como simples
ilustração e curiosidade acrescentamos os seguintes detalhes: os povos
nórdicos, nas grandes noites de seus invernos polares, que duram meses,
no isolamento de suas residências, comunicam-se com esses seres, batendo
pancadas no chão em determinados ritmos ou, em havendo médiuns, por
ligação direta de vidência ou audição; assim se comunicam com parentes e
amigos nas regiões desertas fora da civilização e se orientam sobre
diferentes assuntos de interesse.
Os
lapões comumente mantém esses contatos: são despertados por esses seres
quando dormem, remetem avisos, pedem auxílio nas enfermidades,são
protegidos na caça e na pesca e outros até os utilizam para fazer
transações curiosas, como essa de venderem vento a terceiros,como
garantia de navegação segura, para o que mandam que o interessado amarre
nos mastros, pedaços de panos, nos quais dão certo número de nós para
tornar a embarcação conhecida, bem visível aos elementos escalados para a
proteção, nós que os navegantes vão desmanchando aos poucos, na medida
em que o vento cessa e vão precisando dele nesta ou naquela direção.
Não
são raras as oportunidades de examinar esses seres diretamente,em
sessões espíritas bem organizadas e dirigidas por pessoas competentes,
pois esses seres, por serem inconscientes, são perigosos.
Os
gnomos, por exemplo, são figuras feias, pequenos,cobertos de pelos,
formas grosseiras e quase sempre deixam no ambiente do trabalho, cheiros
fortes de mato, de terra, de animais silvestres.
Neste campo, várias coisas, pois, podem ocorrer, nos trabalhos devidência e nos desdobramentos.
1
° - o médium vê uma forma astral, que pode ser uma simples criação
mental de espíritos alheios, encarnados ou desencarnados, ou
deinstrutores que se utilizam da ideoplastia para desenvolvimento
mediúnico ou para transmissão de idéias próprias;
2 ° - o médium vê formas criadas, representando, simbolicamente, desejos ou paixões humanas;
3 ° - o médium vê seres elementais reais de qualquer das diferentes categorias em que se agrupam.
Para saber se conduzir e dar informações corretas, os médiuns precisam conhecer inúmeros detalhes da vida espiritual e esta é uma das fortes razões que justificam esta publicação.
Determinados
sons, cores e invocações, aliados à
força mental do pensamento do médium magista ou mago que tem a assistência dos
bons espíritos, despertam a sensibilidade desses Espíritos da Natureza para o
bem e para a cura, associados aos fluidos ectoplásmicos exsudados, repercutem
no Plano Astral, que é de grande plasticidade em relação ao impulso mental,
levando a uma materialização fluídica invisível a vós. Essas exteriorizações
ritualísticas se fazem necessárias como ferramentas de apoio para a formação da
egrégora requerida a essas manipulações.
A música eleva ou diminui a freqüência cerebral e as descargas
eletromagnéticas, aumentando ou diminuindo o número de sinapses nervosas.
Os
mantras, os cânticos sagrados, eram muito utilizados na Atlântida, na Índia e
no Egito antigo, proporcionando, quando repetidamente utilizados, profunda
inspiração devocional e facilitando a concentração. Na Umbanda, a formação da egrégora e a canalização das emoções do
corpo mediúnico são realizadas por meio dos cânticos, apurando as vibrações, reequilibrando a mente com o corpo
e facilitando a sintonia com os guias e protetores.
As oferendas de coisas materiais junto à natureza seguem o
princípio de que essas ofertas sejam compostas
das energias primárias dos quatro elementos, exatamente as que estão
faltando aos médiuns. A idéia é restituir-se à natureza aquilo de que se está
precisando para refazimento, para
recomposição do equilíbrio do equipamento mediúnico, e assim mantendo
respeitosamente a harmonia da natureza doadora.
Claro está que a simples presença junto da natureza já seria suficiente para tonificar o homem no seu complexo etérico-astral. Na verdade, são um mecanismo de auxílio válido, que serve de apoio exterior para um intercâmbio "magístico" com os elementais, tornando-o mais efetivo. Obviamente prepondera a força mental invocativa que se forma na egrégora coletiva, que tem a assistência amorosa dos bons espíritos, caboclos e pretos velhos. Mas nenhum espírito elevado, mentor caridoso, precisa de oferendas materiais. A melhor oferta sempre foram os bons sentimentos e o amor ao próximo.
