Bori

05/09/2017

Ebori ou Bori pronúncia correta BÓRÍ (alguns pronunciam BÔRÍ) - A palavra vem de bo + ori: adorar a cabeça, comida a cabeça; cerimônia através da qual a pessoa passa a ser consagrada aos Orixás. Oferenda à cabeça. Ritual no qual é cultuado o Ori (cabeça), o princípio da individualidade, considerado por muitos sacerdotes como a grande iniciação. É um ritual das religiões tradicionais africanas e diáspora africana como culto de Ifá, Candomblé e outras, que harmoniza e diminui a ansiedade, o medo, a dor e a tristeza trazendo a esperança, alegria e a harmonia. É através do jogo de Búzios que o babalorixá recebe as instruções para realizar este ato ritualístico. Desta forma, o Bori é uma das oferendas mais importantes que visa o bem estar individual no Candomblé. O Ritual de Bori é muito sério, complexo e profundo. Ori (Yoruba) significa, literalmente, cabeça e é, misticamente, o primeiro Orixá a ser cultuado. Seu objetivo é o de alimentar o Ori Eledá, seja qual for o sexo, raça, profissão, idade, nível social da pessoa.

Cada pessoa, antes de nascer escolhe o seu Ori, o seu princípio individual, a sua cabeça. Ele revela que cada ser humano é único, tendo escolhido as suas próprias potencialidades. Odú é o caminho pelo qual se chega à plena realização de Orí, portanto não se pode cobiçar as conquistas dos outros. Cada um, como ensina Orunmilá - Ifá, deve ser grande no seu próprio caminho, pois, embora se escolha o Orí antes de nascer na Terra, os caminhos vão sendo traçados ao longo da vida.

Omi (água) e obi (semente africana), por exemplo, são elementos indispensáveis no Bori.

Borí é um ritual da religião tradicional yorùbá e consequentemente das suas afrodescendentes, como o candomblé, e principalmente os da nação Keto (Ketu). É um rito elaborado a quem se propõe a ingressar na religião dos Òrìṣà.

O homem e a Mulher yorùbá cultuam o seu elemento mais sacro, o Orí, sua cabeça. Borí é o rito de oferenda à cabeça (ẹbọ Orí), que consiste em assentar, sacralizar, reverenciar e ofertar o òrìṣà Orí, portanto, cultuar e louvar Orí e assim estabelecer o elo entre a cabeça material (orí) do neófito e sua cabeça espiritual, ou seja, criar a harmonia e equilíbrio necessários à vida.

A coexistência do orí físico e do orí espiritual de quem se submete ao Bori perfaz o òrìṣà Orí, e, é através dos ritos próprios do Borí, que se estabelece essa comunhão, é assim que se busca a estabilidade espiritual.
É desta forma que se consegue optar e viver melhor, o mais próspero possível. Orí é quem sempre está mais próximo do ser humano, portanto é fundamental harmonizar a coexistência.

Somente o òrìṣà Orí, é assentado, sacralizado, reverenciado e ofertado no cerimonial do Borí, esse é um dos mais importantes rituais da religião, pois abrange todos os adeptos de forma igualitária e sem distinções. Assim sendo, deve-se sempre rogar e ofertar antes de qualquer outro Òrìṣà. Como diz um verso religioso yorùbá (ẹsẹ ifá): "Nenhuma divindade poderá ser adorada, sem o consentimento do seu próprio Orí."

É também digno de nota, que os elementos usados para simbolizar o Orí em seu assento são únicos, pois, diferem e nem tampouco se assemelham, nem externamente e tampouco interiormente com nenhum dos outros assentamentos dos òrìṣà que comumente geram transe, ou seja: não é simbolizado, por exemplo, com um òkúta e/ou "ọta" (pedra ou seixo) e nem em irin (ferro)."  De forma que o assentamento de Orí não tem pedra de nenhuma forma, finalidade ou propósito.

Cabeça:

OJUORI - A TESTA

ICOCO ORI - A NUCA

OPA OTUM - O LADO DIREITO

OPA OSSI - O LADO ESQUERDO


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